Foi uma noite de discussões entusiasmadas e grande participação do público.
A mensagem de abertura coube à Dra Waleska Santos, presidente da Hospitalar. “A Hospitalar, que foi pioneira em trazer todo o setor da saúde para trabalhar junto ao longo de 27 anos, se reinventa. Mantém a tradição, mas continua inovando para aproximar todos os players do setor, num momento em que o mundo passa por uma revolução”, afirmou a médica e empresária.
Veja alguns destaques da programação que reuniu a Comunidade Internacional & Gestão.
Impactos da transformação digital na prestação de serviços
O keynote speaker Peter Lachman, CEO da Internacional Society for Quality in Health Care (ISQua), discursou de Dublin. A capital da Irlanda está em lockdown há 100 dias em virtude do aumento de casos de COVID-19.
Lachman citou um relatório produzido em 2018 para o Banco Mundial em que abordava a necessidade de mudar a maneira como os profissionais de saúde trabalham. De acordo com esse estudo, 8 milhões de pessoas morreram por falha de qualidade na assistência da saúde. “Isso significa que devemos trabalhar melhor”, disse o palestrante.
Entre as recomendações do relatório para o aprimoramento dos serviços de assistência à saúde, Lachman enfatizou a necessidade de adoção de uma cultura de aprendizado e pesquisa, além de investimento em saúde digital e novas tecnologias.
“Agora, qual é o desafio de 2021?”, questionou. Em seguida, respondeu que continua sendo melhorar a assistência. “Precisamos pensar em prestar uma assistência diferente, escolher novas maneiras de trabalhar, olhando para o futuro.”
Para Lachman, a assistência do futuro deve agregar o aspecto “ecofriendly” aos atributos eficiência, eficácia, tempo e segurança do paciente no centro dos cuidados.
Outro desafio é estabelecer padrões para que se tenha assistência digital segura e de alta qualidade. “Muitas pessoas se opuseram à telemedicina por receio de diagnósticos equivocados”, disse. “Temos que nos basear no que aprendemos, especialmente na pandemia, e aproveitar trabalhos e diretrizes já realizados para expandir a telemedicina.”
Na visão de Lachaman, o futuro da saúde é um modelo híbrido entre o digital e o presencial. “O futuro vai abraçar a tecnologia”, declarou.
O discurso chegou ao fim com uma citação de Steve Jobs, fundador da Apple: “Inovacao é a habilidade de ver mudanças como oportunidades, e não como ameaças.”
A regulação, o governo e a atual legislação estão adequadas à realidade pós-pandemia e à saúde digital?
Mais uma atração do penúltimo dia da Jornada Digital foi a entrevista de Salvador Gullo Neto, brasileiro radicado nos Estados Unidos, fundador da Safety4me, startup no Vale do Silício, em São Francisco.
“A ideia de conversar com Salvador surgiu com o intuito de demonstrar para o público os modelos de legislação de telemedicina e saúde digital em uma perspectiva comparada entre Estados Unidos e Brasil”, explicou Fabio Gastal, responsável por conduzir a conversa. Gastal é Superintendente de Informação, Inovação e Novos Negócios na Seguros Unimed, Assessor Técnico da Hospitalar Feira + Fórum e presidente do Conselho de Administração e Diretor Geral da Organização Nacional de Acreditação (ONA).
Salvador lembrou que há semelhanças no caminho trilhado nos Estados Unidos e no Brasil – porém, com diferença de timing. “A regulação e a discussão mais intensa sobre telemedicina começou, nos Estados Unidos, em 2000. No Brasil ocorreu na mesma época, mas timidamente.”