A União Africana se reúne nesta segunda-feira (8) para definir uma estratégia continental para combater a epidemia de ebola, que atinge a África Ocidental e já matou mais de 2 mil pessoas. O encontro do Conselho Executivo da União Africana, que será realizado na sede da organização em Adis Abeba, vai examinar as medidas de suspensão de voos e fechamento de portos e fronteiras e a “estigmatização dos países afetados e dos seus cidadãos”.

A organização pretende “responder à necessidade de se ter uma visão comum do vírus ebola e adotar uma abordagem coletiva em nível continental, que tenha em conta o impacto sociopolítico e econômico”, segundo comunicado do bloco. A União Africana lembra que os países-membros estão preocupados com o fechamento de fronteiras e a suspensão de serviços aéreos, determinados por alguns países da região, acrescentando que isso poderá, “em última instância, aumentar o sofrimento” já causado pelo ebola.

O último balanço da febre hemorrágica mostrou mais de 2 mil mortes entre os 3.500 casos registados na Guiné-Conacri, em Serra Leoa, na Libéria, no Senegal e na Nigéria. Os números da Organização Mundial da Saúde indicam progressão em relação ao balanço divulgado na semana anterior.

Na semana passada, o Programa Alimentar Mundial lançou uma operação de assistência a 1,3 milhão de pessoas em três dos cinco países africanos mais afetados pelo ebola, para “evitar que uma crise de saúde se transforme em uma crise alimentar”.

Toque de recolher
Serra Leoa impôs um confinamento de quatro dias à população em todo o país como forma de tentar conter a propagação do vírus do ebola. De 18 a 21 de setembro, toda a população terá de permanecer em casa, informou o governo do país. A medida tem como objetivo permitir que os profissionais de saúde identifiquem e isolem novos casos de ebola, para evitar que a doença se espalhe ainda mais, disse Ibrahim Ben Kargbo, um assessor do governo.

“A abordagem agressiva é necessária para lidar com a propagação do ebola de uma vez por todas”, afirmou. Até sexta-feira, só Serra Leoa tinha registrado 491 mortes.