O Hcor interrompeu o uso de óxido nitroso (N₂O) em seus procedimentos anestésicos, marcando uma das mudanças mais significativas em sua política ambiental recente. Embora amplamente utilizado em anestesias, o gás é um dos principais agentes de efeito estufa e também afeta a camada de ozônio.

A decisão faz parte de uma revisão mais ampla das práticas ESG do hospital, que já resultou em reduções no volume de resíduos por paciente-dia e no descarte em aterros sanitários. Com a nova medida, o Hcor projeta uma queda de cerca de 50% nas emissões diretas de gases de efeito estufa (escopo 1) em um ano.

A retirada do gás não traz prejuízos clínicos, segundo Marcelo Gonçalves o líder médico do Centro Cirúrgico. “O óxido nitroso é apenas uma das substâncias usadas em anestesias. Outras opções, como o sevoflurano, já garantem o mesmo efeito de supressão temporária do sistema nervoso central, essencial para os procedimentos cirúrgicos”, explica.

Além do impacto ambiental reduzido, o sevoflurano tem uma vida atmosférica estimada em apenas um ano — contra 114 anos do N₂O. A substituição, afirma Gonçalves, mantém os protocolos de segurança dos pacientes e elimina um composto de alto potencial de aquecimento global.

A transição exigiu ajustes técnicos, como a desativação do sistema central de distribuição de óxido nitroso e a revisão dos protocolos anestésicos. “A mudança reflete uma decisão estratégica voltada à sustentabilidade, mas também à eficiência clínica e operacional”, afirma Julio Vieira, CEO do Hcor.

Para Gabriel Dalla Costa, diretor médico executivo da instituição, a iniciativa só foi possível com o engajamento das equipes médicas, técnicas e de suprimentos. “É uma transformação ambiental relevante, mas também um compromisso com a segurança e a sustentabilidade institucional”, avalia.