O Congresso de Tecnologia e Inovação para Saúde Digital (CTISD) faz sua estreia na Hospitalar 2026. Neste primeiro dia de programação, o público acompanhou o painel “Melhores práticas de Governança de IA em Saúde”.
Este espaço tem curadoria da Associação Brasileira de CIOs e Gestores de Tecnologia em Saúde (ABCIS), com a proposta de aprofundar como a transformação digital está redesenhando a operação hospitalar, a prática clínica e os modelos de gestão.
No painel em questão, que passou sobre o que é a governança em Inteligência Artificial, frameworks para seguir e outras questões sobre a tecnologia, participaram Gustavo Guimarães, Diretor Executivo na Rede D’Or, e Carlos Lima, Diretor Jurídico da ABCIS, sob mediação de Mônica Pugliese, Diretora de Inovação e IA Aplicada na Rede D’Or.
Confira um resumo do painel.
Maturidade de governança
A primeira questão levantada por Mônica, aproveitando as visões do lado institucional e do lado jurídico, foi sobre a definição do que é a governança de IA.
Guimarães comentou sobre a necessidade de, primeiro, entender o que não é governança. “Existe uma escala de maturidade de governança, começa com o conceito de conformidade”, explicou, complementando que esse é o básico: atendimento à LGPD, checklist de normas, políticas de proteção de dados no geral.
O segundo nível de maturidade é o de controle e monitoramento sobre o que está sendo executado (e obtido) com a inteligência artificial. E o terceiro nível é a confiança. “Especialmente no meio da saúde, a confiança precisa estar em todos os processos implementados, tecnológicos ou não”.
Lima começou lembrando que “governança de IA hoje é exigência, necessidade para conformidade regulatória”, reforçando que já existem normas e regulamentações nacionais sobre a utilização dessa tecnologia no setor: a própria LGPD, a Resolução CFM nº 2.454/2026 e até mesmo uma Resolução RDC da Anvisa.
Exemplificando o que é maturidade de governança e, no caso, um mau uso da IA, o advogado lembrou o caso da UnitedHealth, nos Estados Unidos, em que decisões equivocadas do algoritmo prejudicaram o tratamento de pacientes idosos.
Ainda dentro desse tópico, Gustavo Guimarães apontou que dentro do setor de saúde já existem frameworks de melhores práticas, como o da CHAI – Coalition for Health AI.
Quem é responsável pela IA?
A mediadora acrescentou à discussão apontando que a governança da tecnologia deve seguir todo seu ciclo de vida, do desenvolvimento e adoção, passando pelo uso e a regulação do algoritmo, até um possível final da ferramenta, retirando as automações.
O conceito de human in the loop foi levantado por Guimarães. Ao se tratar de IA na saúde, a responsabilidade pelas decisões da tecnologia não podem ser ignoradas, e para o uso ético das ferramentas é necessário ter um humano na validação.
Mas enfim, quem é responsável pelo uso e pelos resultados (positivos e negativos) da inteligência artificial?
“Tem responsabilidade para todo mundo”, brincou o diretor na Rede D’Or. Então, detalhou:
- Fornecedor da ferramenta e a área de Tecnologia dentro das instituições se responsabilizam pela segurança, o funcionamento, robustez e suporte;
- A instituição está por trás do monitoramento e controle, citados anteriormente, acompanhando o contexto de utilização da IA – não dá para usar uma ferramenta administrativa para fins médicos, por exemplo.
“A responsabilidade do médico é indelegável”, conclui Guimarães.
O advogado Carlos Lima lembrou que o setor de saúde, sendo um serviço, também é coberto no Código de Defesa do Consumidor. Reforçou, também, que segundo o PL 2338/2023 (lei sobre o uso de inteligência artificial), os sistemas de IA na área da saúde são sistemas de alto risco, o que já alerta para a importância da boa governança. “Qual é a arquitetura de governança que faz com que eu identifique a causa raiz do erro de IA e a responsabilidade?”.
Recados finais para a adoção da IA
Mônica compartilhou que os pilares da IA ética e responsável (privacidade, justiça, transparência, confiabilidade, controle humano, etc.) são aplicáveis em qualquer área ou setor econômico.
Os painelistas concordaram que usar ferramentas e processos com IA já não são diferenciais, sendo necessários para a competitividade dos negócios. “O dilema entre inovar e controlar é uma realidade”, comentou Guimarães.
No caso da Rede D’Or, sendo também a recomendação do diretor para outros gestores, a IA parte de um ambiente de sandbox, controlado porém com a estrutura tecnológica (dados e ferramentas) para que todos testem e aprendam com segurança.
Pensando no cenário nacional, Lima reforçou que “já existe uma série de orientações para que as empresas sigam”. O que ele acrescentou à discussão foram algumas questões que as empresas devem se atentar: Existe mapeamento dos algoritmos utilizados? É possível auditar essas ferramentas? Todos estão alinhados quanto às questões de segurança e ética?
O tema de Inteligência Artificial no setor de saúde segue em pauta no CTISD e em toda a programação da Hospitalar 2026. Siga acompanhando a cobertura oficial no Saúde Business.