Durante o ABCIS Summit, realizado na Feira Hospitalar, o painel “Perspectiva CEO – Tecnologia: afinal, custo ou investimento?” reuniu três CEOs de grandes instituições de saúde para discutir um tema cada vez mais debatido no setor: o investimento em tecnologia. 

Na primeira sessão, José Marcelo de Oliveira, CEO do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, trouxe uma visão franca e realista sobre os desafios da transformação digital no setor hospitalar. A resposta à pergunta provocativa do painel foi direta: “depende”. Segundo ele, tudo está condicionado a um fator central: o alinhamento estratégico da tecnologia com os objetivos da instituição. 

“Se a tecnologia não estiver conectada à estratégia da instituição, ela será apenas custo”, afirmou. Com mais de quatro anos à frente do Oswaldo Cruz e experiências anteriores em outras grandes organizações de saúde, como o Hospital Sírio-Libanês e o Grupo Fleury, José Marcelo observa que esse equilíbrio entre custo e estratégia é o principal fator que transforma decisões tecnológicas em investimentos com retorno real. 

Na imagem, José Marcelo A de Oliveira, CEO do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Vitor Ferreira, Presidente da ABCIS, Felipe Monti Lora, CEO do Sabará Hospital Infantil e Fernando Torelly, CEO do HCOR.

Abaixo, confira as reflexões mais críticas do CEO do Oswaldo Cruz sobre o assunto.  

Diagnóstico estratégico: do legado ao futuro 

Ao assumir o Oswaldo Cruz, José Marcelo conta ter iniciado um processo rigoroso de diagnóstico para compreender o ponto de partida tecnológico da instituição. A constatação foi dura: havia uma carga elevada de legados tecnológicos que consumiam orçamento e energia operacional. A saída foi construir um planejamento de três a cinco anos, com foco em reverter essa lógica. 

“A gente começou incluindo uma parcela estratégica no orçamento a cada ano. E hoje já conseguimos ter uma visão mais estruturada de médio e longo prazo”, explicou. Nesse planejamento, o hospital adotou uma abordagem integrada, envolvendo tecnologia da informação, engenharia clínica e infraestrutura — três frentes que, segundo ele, precisam andar juntas para evitar investimentos fragmentados e ineficientes.