As indústrias farmacêuticas são gigantes do setor de saúde e, ao mesmo tempo em que inovam em produtos e tecnologias, também começam a reinventar a própria forma de gerir seus negócios. É sobre esse último ponto que vamos falar neste texto. 

Empresas como AstraZeneca e Bayer estão deixando de lado modelos tradicionais de gestão e apostando em abordagens experimentais. Não se trata apenas de mais uma moda corporativa: os resultados mostram reduções de até 90% em retrabalhos e processos que antes levavam meses agora são concluídos em poucos dias. 

AstraZeneca: o desafio de reorganizar após o crescimento acelerado

A AstraZeneca ficou mundialmente conhecida durante a pandemia, com a vacina contra a Covid-19. O crescimento rápido trouxe visibilidade, mas também deixou marcas: processos desordenados, sistemas que não se conversavam e falhas recorrentes.

“Como toda empresa que cresce rápido, acabamos crescendo de forma desordenada, criando um verdadeiro ‘frankenstein’ de políticas e processos”, contou Luciana Povegliano, Executive Manager Medical Operations, durante o Lean Summit 2025.

Oncologista de formação, Luciana percebeu que os problemas estavam em três níveis.

  • Políticas: “Eram confusas, tínhamos várias. E o mesmo acontecia com os sistemas: muitos, que ainda não se comunicavam entre si.”
  • Processos: “Nos eventos promocionais, havia retrabalho em 100% dos casos. O prazo de execução podia variar de três dias a três meses.”
  • Pessoas: “Havia um sério problema de accountability. Quando chegava ao último nível, geralmente o compliance, quase sempre estava errado e o processo precisava ser refeito.”

A virada veio com a aplicação do Lean. Ao mapear processos e eliminar redundâncias, a empresa alcançou resultados expressivos: