A transição para um modelo de saúde orientado por valor deixou de ser conceitual e se tornou uma urgência estratégica. O avanço, porém, ainda esbarra em entraves estruturais: sem alinhamento entre atores, dados confiáveis e revisão de incentivos, o valor segue mais como discurso do que prática.

“A definição de valor não é compartilhada. Existe uma dissonância muito grande entre operadoras, prestadores e pacientes”, afirmou Gustavo Fernandes, VP de Oncologia da Rede Américas, durante o Harvard Business Review Summit.

Segundo ele, o próprio desenho do sistema contribuiu para esse cenário. “O paciente foi transformado em cliente e depois em usuário — uma fonte pagadora. Nesse contexto, fica difícil construir valor de fato.”

A fragmentação compromete decisões e expõe um gargalo central: o uso ainda imaturo de dados. “Eles são o elemento estruturante do sistema”, pontua Fernandes, ao destacar que informações qualificadas orientam tanto escolhas clínicas quanto alocação de recursos.

Do conceito à prática: dados que mudam decisões

Se há consenso sobre a relevância do valor, a operacionalização ainda divide caminhos. Para Ana Paula Etges, sócia da PEV Health Care Consulting, o avanço depende da integração entre avaliação econômica e modelos centrados no paciente.

“A gente quer trazer as melhores tecnologias para o sistema de saúde de forma centrada na necessidade individual dos pacientes e que isso seja sustentável na perspectiva econômica”, afirma.